Alienação? Tudo é relativo…
Segunda-feira, 5/Novembro/2007
Engraçado… No nosso microcosmo de universi(o)tários é muito comum encontrar termos como “alienado”, “acomodado”, ou então “subversivo”, “marxistóide”… Devo ter ouvido em alguma entrevista do Lobão algo sobre uma coisa que ele chama de patrulha ideológica. Não tiro a razão dele. A pseudo-intelectualidade – nossa, falei difícil, “mel dels!!11!” – dos nossos futuros acadêmicos me assusta bastante em relação ao futuro do debate científico nas humanidades.
Divergir das bandeiras levantadas por todos é heresia, e se desinteressar pelo cotidiano político é ainda pior, passível de fogueira à frente da reitoria. Reivindicar melhorias e pedir consciência é subversão, e não se alinhar às instituições é “rebeldia sem causa”. Acho incrível a polarização desse tipo de debate, e a facilidade com que os envolvidos se adjetivam a todo momento. O melhor é que estar aquém de ambas as pontas é sinônimo de indecisão, alienação, burrice ou qualquer coisa que o valha – quando não há o encaixe em um ou outro lado, feito pelo “time” oposto, é claro.
Entre os freqüentadores de shopping center, fanáticos por academia e viciados em futebol, e os leitores de Trotsky, filósofos de Gramsci e líderes estudantis, há uma gama de pessoas esquecidas por um modelo engessado e retrógrado – ai, falei difícil de novo… Sabe, isso me lembra bem a conceituação das classes pelo marxismo ortodoxo ou a generalização teórica elaborada por Gerardo de Cambrai e Adalberão de Laon, segundo a análise de Georges Duby.
O melhor foi ouvir que “analisar friamente ambos os ‘lados’ da argumentação e questioná-los igualmente é utopia”. A descrença em uma categoria pensante entre a “elite reveladora do sistema/massa subversiva” e a “massa alienada/sociedade padrão” me assusta às vezes. E o melhor de tudo é saber que entre os comentários que podem aparecer, muitos vão pescar pontos do texto e colocar tags do tipo “direitista, burguesinho, engomado” ou “marxistóide, intelectualóide, revoltadinho”.
Corredor polonês
Quinta-feira, 1/Novembro/2007
Quem nunca participou dessa brincadeira tão saudável? Acho que boa parte das crianças já teve que passar por isso – e até as crianças grandes, como o vídeo abaixo demonstra. Mas acho que poucas pessoas sabem da origem da brincadeira, hoje feita em vários lugares, incluindo “batizados” no jiu-jitsu. A propósito, chego a questionar se algum dos trogloditas acéfalos sabe… Mas enfim. Isso não vem ao caso.
A Segunda República Polonesa, como é chamado o estado independente estabelecido no entre-guerras, não possuía acesso ao mar, o que tornaria sua economia dependente do estado alemão. Woodrow Wilson, em um dos seus famosos 14 Pontos de 1918, definiu que era necessária a criação de um corredor de terras que ligaria esse novo estado ao mar – como era de interesse da Entente, desejando um contra-peso para a força dos alemães. Essa faixa, conhecida como Corredor Polonês, foi alvo de grande desavença entre alemães e poloneses, e o estado alemão nunca chegou a reconhecer a legitimidade da ligação polonesa com o mar – ligação esta que separou o território oeste da Alemanha da Prússia oriental.
Durante os anos de sua existência, segundo a propaganda alemã, todos os meios usados para sua comunicação com a Prússia, fossem ônibus ou aviões, eram alvos de ataques militares. É daí que vem a brincadeira.
O Corredor Polonês foi extinto com o início da era nazista na Alemanha, mas a Polônia passaria a ter um território costeiro com o fim da II Guerra, reconhecido pelo estado alemão nos tratados de Warsaw e, posteriormente, na sua reunificação, em 1990.