Sobre o casamento…

Segunda-feira, 19/Novembro/2007

Um amigo, Erick Van Pato, da UFF, escreveu um texto muito interessante a respeito do casamento. Como disse a ele, apesar da linha de raciocínio não ser a que eu seguiria, e de eu não concordar com um ou outro ponto, a redação ficou ótima, bem clara e de fácil digestão.

Clique aqui para ler diretamente no Live Journal do autor.

Essa semana devo retornar com algum texto, embora ainda não saiba se vai ser de humor ou de reflexão um pouco mais séria. Enfim… Até.

Os rótulos e a música…

Terça-feira, 13/Novembro/2007

Hoje em dia é muito comum acontecer o que os americanos chamam de tagging – ou “etiquetagem” – das bandas e qualquer um que se atreva a entrar no mundinho exclusivo e selvagem da música. Culpa de um mercado fonográfico cada vez mais corrompido, de uma massa de ouvintes sem senso crítico e do número cada vez maior de oportunistas que se auto-denominam “bandas”, que produzem toneladas de lixo auditivo ou “barulho ritmado”. Inclusive eu e um amigo brincamos ainda outro dia sobre os livros de história da música de 2347, onde poderíamos encontrar que “em fins do século XX e começo do XXI a música iniciou sua espiral descendente em uma velocidade muito acelerada, com o surgimento de pseudo-estilos pseudo-musicais,” etc, etc, etc… Mas voltando ao tagging, conversando com mais amigos, fizemos uma brincadeira e tentamos imaginar como funcionaria esse tagging durante o barroco e o romântico. Confesso que dei boas risadas – e se você não der… Bem… Sinta-se 10% mais burro, ou pelo menos 10% menos interessado em música.

Imaginem a ocasião de J.S. Bach olhando para as partituras de Vivaldi com os olhos brilhando e dizendo “Ai, ele fazia um barroco melódico emocional que era uma beleza!”, quando Händel chegaria dizendo “Discordo. Eu acho que o Vivaldi faz um hard barroco old-school muito mais impactante que esses compositores melódicos…”

Alguns anos mais tarde Beethoven analisaria as partituras dos três supracitados. “É, esse Vivaldi sabia mesmo o que estava fazendo. Ele fazia um über-soft barroco neo-old-school melódico muito interessante… Já o Bach-pai era um cara muito mais emocional e chocante, fazia um barroco proto-romântico emocional muito bom. Não posso dizer o mesmo de Händel, com seu pseudo-hard barroco old-school… Não suporto esse cara!”

Mais tarde, Wagner olharia para todos e faria uma nova interpretação. “Beethoven falou bem sobre Vivaldi e Bach-pai, mas acho que ele subestimou demais o Händel. Eu diria que ele é mais um dark barroco old-school muito mais denso do que aparenta… E bem, o próprio Beethoven faz um emotional romanticore pós-barroco que não está entre os meus favoritos.”

Alienação? Tudo é relativo…

Segunda-feira, 5/Novembro/2007

Engraçado… No nosso microcosmo de universi(o)tários é muito comum encontrar termos como “alienado”, “acomodado”, ou então “subversivo”, “marxistóide”… Devo ter ouvido em alguma entrevista do Lobão algo sobre uma coisa que ele chama de patrulha ideológica. Não tiro a razão dele. A pseudo-intelectualidade – nossa, falei difícil, “mel dels!!11!” – dos nossos futuros acadêmicos me assusta bastante em relação ao futuro do debate científico nas humanidades.

Divergir das bandeiras levantadas por todos é heresia, e se desinteressar pelo cotidiano político é ainda pior, passível de fogueira à frente da reitoria. Reivindicar melhorias e pedir consciência é subversão, e não se alinhar às instituições é “rebeldia sem causa”. Acho incrível a polarização desse tipo de debate, e a facilidade com que os envolvidos se adjetivam a todo momento. O melhor é que estar aquém de ambas as pontas é sinônimo de indecisão, alienação, burrice ou qualquer coisa que o valha – quando não há o encaixe em um ou outro lado, feito pelo “time” oposto, é claro.

Entre os freqüentadores de shopping center, fanáticos por academia e viciados em futebol, e os leitores de Trotsky, filósofos de Gramsci e líderes estudantis, há uma gama de pessoas esquecidas por um modelo engessado e retrógrado – ai, falei difícil de novo… Sabe, isso me lembra bem a conceituação das classes pelo marxismo ortodoxo ou a generalização teórica elaborada por Gerardo de Cambrai e Adalberão de Laon, segundo a análise de Georges Duby.

O melhor foi ouvir que “analisar friamente ambos os ‘lados’ da argumentação e questioná-los igualmente é utopia”. A descrença em uma categoria pensante entre a “elite reveladora do sistema/massa subversiva” e a “massa alienada/sociedade padrão” me assusta às vezes. E o melhor de tudo é saber que entre os comentários que podem aparecer, muitos vão pescar pontos do texto e colocar tags do tipo “direitista, burguesinho, engomado” ou “marxistóide, intelectualóide, revoltadinho”.