Sobre a docência…

Segunda-feira, 12/Novembro/2007

Devo citar neste artigo um caso excêntrico que encontrei no curso de história da UEL… Há, ou havia, já que não devo ter mais aulas com ela, uma professora um tanto quanto pitoresca – uau, essa palavra foi legal, preciso anotar e usar nos meus trabalhos -, estranha… Explico: ela tinha alguns problemas com separação da vida pessoal e profissional, trazia problemas externos para a aula e passava boa parte do tempo discorrendo sobre suas desventuras, seus problemas e suas reclamações em relação à cidade, Londrina, e à instituição. A questão é que, não bastasse o seu descontentamento pessoal com a universidade, ela ainda exaltava certas siglas que, de fato, estavam bastante abaixo do nível da própria UEL. Caso específico à parte, a discussão que proponho aqui se refere ao papel do docente: até quando cabe a inserção de experiências pessoais no conteúdo, e até onde isso não se torna prejudicial ao andamento da aula?

O papel do professor é, do ensino infantil ao superior, apresentar a seus pupilos novos questionamentos, ampliar seus horizontes de pensamento e fazer com que cada aluno possa desenvolver um potencial crítico em relação a qualquer assunto proposto no futuro. A partir disso é indispensável que o professor insira, em meio ao conteúdo, suas próprias experiências, de forma a gerar uma espécie de “reprodução” dos fatos empíricos, ou seja, práticos, em forma de acontecimentos teóricos – para fins exclusivos de reflexão. O problema se dá quando essa exemplificação extrapola os limites do bom senso e passa a afetar a construção do conhecimento sobre o conteúdo em questão – e aí é preciso tomar algumas providências…

De fato, creio que enquanto os relatos pessoais não forem pontos que façam a aula ter de se apressar ou se reduzir, não tenho objeções. No entanto, em alguns casos, as intervenções são mais do que simples segundos alheios aos livros e ao ambiente escolar, e passam a ser uma espécie de divã psicanalítico, transformando o professor em paciente e os alunos em psicólogos. Nada contra a psicologia, tampouco contra uma relação de amizade entre alunos e professores, mas sala de aula é um local de trabalho como qualquer outro, onde a relação estabelecida é profissional – lugar de reclamar do pneu furado é no corredor.

E fica minha última agulhada no que se refere às reclamações e exaltações de outras instituições por docentes: tente melhorar começando por si mesmo, ou então, já que a outra instituição é tão melhor, preste concurso e mude-se ao invés de prejudicar o aprendizado alheio. Mas… Bem… Aí é que vem a questão: será que dá pra passar?

Alienação? Tudo é relativo…

Segunda-feira, 5/Novembro/2007

Engraçado… No nosso microcosmo de universi(o)tários é muito comum encontrar termos como “alienado”, “acomodado”, ou então “subversivo”, “marxistóide”… Devo ter ouvido em alguma entrevista do Lobão algo sobre uma coisa que ele chama de patrulha ideológica. Não tiro a razão dele. A pseudo-intelectualidade – nossa, falei difícil, “mel dels!!11!” – dos nossos futuros acadêmicos me assusta bastante em relação ao futuro do debate científico nas humanidades.

Divergir das bandeiras levantadas por todos é heresia, e se desinteressar pelo cotidiano político é ainda pior, passível de fogueira à frente da reitoria. Reivindicar melhorias e pedir consciência é subversão, e não se alinhar às instituições é “rebeldia sem causa”. Acho incrível a polarização desse tipo de debate, e a facilidade com que os envolvidos se adjetivam a todo momento. O melhor é que estar aquém de ambas as pontas é sinônimo de indecisão, alienação, burrice ou qualquer coisa que o valha – quando não há o encaixe em um ou outro lado, feito pelo “time” oposto, é claro.

Entre os freqüentadores de shopping center, fanáticos por academia e viciados em futebol, e os leitores de Trotsky, filósofos de Gramsci e líderes estudantis, há uma gama de pessoas esquecidas por um modelo engessado e retrógrado – ai, falei difícil de novo… Sabe, isso me lembra bem a conceituação das classes pelo marxismo ortodoxo ou a generalização teórica elaborada por Gerardo de Cambrai e Adalberão de Laon, segundo a análise de Georges Duby.

O melhor foi ouvir que “analisar friamente ambos os ‘lados’ da argumentação e questioná-los igualmente é utopia”. A descrença em uma categoria pensante entre a “elite reveladora do sistema/massa subversiva” e a “massa alienada/sociedade padrão” me assusta às vezes. E o melhor de tudo é saber que entre os comentários que podem aparecer, muitos vão pescar pontos do texto e colocar tags do tipo “direitista, burguesinho, engomado” ou “marxistóide, intelectualóide, revoltadinho”.